A Parábola do Semeador Parte 2: O Solo




No texto anterior, refletimos um pouco sobre as características da semente. Vimos que, na parábola do semeador, a semente é a Palavra de Deus.
A Palavra de Deus tem poder para, em sendo semeada na vida das pessoas, transformá-las, tornando-as frutíferas. Com a divulgação do Evangelho, a semente é lançada e tem potencial para produzir muitos frutos na vida daqueles "solos" que a receberam, como afirma o versículo 8  de Mateus 13:
Outra ainda caiu em boa terra, deu boa colheita, a cem, sessenta e trinta por um.
Na mensagem de hoje, meditaremos sobre o solo.
Ao explicar a parábola, Jesus afirma que o solo é o coração do homem:
Quando alguém ouve a mensagem do Reino e não a entende, o Maligno vem e lhe arranca o que foi semeado em seu coração. (Mateus 13:18)
De fato, o nosso coração é um solo, mas precisamos saber que tipo de solo nosso coração tem sido. Se um solo que facilita o crescimento e a frutificação da semente ou que dificulta o crescimento saudável da planta.

O coração recebe as sementes lançadas, sejam boas ou más. Essa semeadura dará origem a pensamentos, palavras e comportamentos, correspondentes às sementes recebidas.

Por esse motivo, é necessário guardar o coração para evitar que as sementes ruins sejam lançadas sobre ele. Sobre isso, as Escrituras nos alertam:

Guarda com toda a diligência o teu coração, pois dele procedem as fontes da vida. (Provérbios 4:23)

No original hebraico, a  palavra traduzida como "fontes" é a palavra "tôtsâ'âh", que pode significar: saída, isto é (geograficamente) limite ou borda;  fonte (origem).

Como um rio, cujo manancial, limpo e protegido da sujeira, jorrará água límpida e pura, nossa vida será abençoada se guardarmos o nosso coração da sujeira e da maldade do mundo, isto é, das sementes ruins.

E como protegemos o nosso coração dessas sementes ruins?


Vejamos o que nos diz a Palavra de Deus sobre isso.

Primeiramente, precisamos evitar que as sementes de pecado sejam lançadas em nosso coração:

Não porei coisa má [semente ruim] diante dos meus olhos. (Salmo 101:3a)

E, então, lançarmos a boa semente:

Filho meu, atenta para as minhas palavras [semente boa]; inclina o teu ouvido às minhas instruções [semente boa]. Não se apartem elas de diante dos teus olhos; guarda-as dentro do teu coração. (Provérbios 4:20-21)

Os olhos e ouvidos são a porta de entrada para o nosso coração.

Tudo o que sentimos, pensamos e acreditamos tem origem naquilo que vemos, ouvimos, percebemos e vivenciamos, a partir dos nossos primeiros anos de vida.

A candeia do corpo são os olhos; de sorte que, se os teus olhos forem bons, todo teu corpo terá luz; se, porém, os teus olhos forem maus, o teu corpo será tenebroso. (Mateus 6:22-23)

De sorte que a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus. (Romanos 10:17)

Os ouvidos de Eva e depois os de Adão foram a via de acesso para a semente da rebelião lançada pelo diabo em seus corações. Antes de efetivamente pecarem contra Deus, Adão e Eva deram ouvidos ao adversário e deixaram que fosse semeado em seus corações o gérmen da rebelião por ele disseminado (Gênesis 3).

Os irmãos de José, antes de executarem seu plano cruel contra ele, deixaram que a semente da inveja crescesse em seus corações. Antes de praticarem tamanha maldade contra o próprio irmão, houve uma semente plantada, que foi regada e cuidada por eles, e resultou em frutos destrutivos. (Gênesis 37).


O rei Davi, antes de adulterar com a mulher de Urias e tramar o seu assassinato, permitiu que a semente da lascívia tomasse forma e intensidade dentro dele, através do olhar lançado sobre Bate-Seba:

E aconteceu que numa tarde Davi se levantou do seu leito, e andava passeando no terraço da casa real, e viu do terraço a uma mulher que se estava lavando; e era esta mulher mui formosa à vista. (2 Samuel 11: 2)
Assim, entendemos que o pecado não acontece do dia para a noite. Antes da queda, a semente do pecado encontra espaço em nosso interior e, se não vigiarmos, ela irá crescer e gerar o fruto correspondente. Tudo começa no coração:
Antes da sua queda o coração do homem se envaidece, mas a humildade antecede a honra. (Provérbios 18:12)


Sabemos que traumas profundos, dificuldades de relacionamento, sentimentos de rejeição e de inferioridade, entre outras dificuldades que a alma humana pode enfrentar, via de regra, têm sua origem em experiências vividas na infância. Tal constatação, feita pelos estudiosos da psicologia, é amplamente divulgada e conhecida até pelos leigos.

Não sei se você já se perguntou o porquê de adultos muitas vezes não conseguirem superar medos, angústias, traumas e fobias que adquiriram quando crianças.

Se pararmos para pensar, não faz sentido uma pessoa que alcançou a maturidade e que aparenta ser bem resolvido nos aspectos familiar, profissional e até mesmo espiritual, continuar a experimentar sentimento de rejeição, atitudes autodestrutivas, fobias, paranoias, pânico, ou mesmo comportamentos anti-sociais ou amorais (alheios à moral).

Muitas vezes não entendemos as dificuldades emocionais do outro, porque olhamos para o problema que ele enfrenta e apresentamos algumas soluções, esperando que, como um antídoto, nossos conselhos tenham efeito instantâneo.

No entanto, tudo o que somos e nos tornamos é fruto de anos de semeadura em nosso coração. O coração é como um terreno e recebe todos os tipos de semente, especialmente na infância, quando não temos autonomia e maturidade para protegê-lo, filtrando as sementes.

Assim, se anos de semeadura produziram o que sou hoje, e se há algo em mim que desejo mudar, a mudança precisa começar pelas sementes que permito terem acesso ao terreno do meu coração.

Não tenho como alterar a minha colheita do presente. Uma vez lançadas as sementes, tenho que lidar com suas consequências. Mas posso decidir, hoje, que sementes deixarei entrar em meu coração e preparar, assim, o caminho, para uma colheita farta de bênçãos.

E, com o passar do tempo, perseverando na nova semeadura, e retirando as ervas daninhas que se originaram das más sementes, começarei a colher os frutos e ver os primeiros sinais de transformação em minha vida. 

Vemos esse princípio claramente aplicado no Salmo 1:

Bem-aventurado o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios [semente ruim], nem se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores. Antes tem o seu prazer na lei do Senhor, e na sua lei [boa semente] medita de dia e de noite. Pois será como a árvore plantada junto a ribeiros de águas, a qual dá o seu fruto no seu tempo; as suas folhas não cairão, e tudo quanto fizer prosperará [colheita]. (Salmos 1:1-3)



Nos próximos textos, começaremos a meditar sobre os tipos de solo apontados por Jesus na parábola do semeador e como cada um deles reage à semeadura.

Que a paz do Senhor Jesus Cristo seja com o teu coração.

Bruna Monastirski.
Discípula de Cristo.




Comentários

  1. Excelente mensagem irmã Bruna. O Corpo de Cristo precisa entender estes princípios da Palavra de Deus. Muitos cristãos têm tentado viver uma vida de vitória tentando pegar atalhos para que as bençãos de Deus se manifestem em em suas vidas. No entanto, precisamos nos adequar aos princípios da palavra de Deus que mostram que você irá acolher somente aquilo que plantou.

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  2. Interessante esta abordagem sobre uma colheita futura. Não importam as plantações e colheitas passadas, mas sim o que plantarei hoje.

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    1. Verdade. O Senhor permite, através desta lei espiritual, que tenhamos sempre uma nova chance. Basta mudarmos as sementes.

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