A Parábola do Semeador Parte 5: O Solo Espinhoso





Continuando o estudo sobre a PARÁBOLA DO SEMEADOR, vamos meditar um pouco sobre o solo espinhoso e identificar as suas características, apontadas por Jesus na parábola. Vamos observar o que acontece com a semente que cai no terreno espinhoso:

"Outra parte caiu entre espinhos, que cresceram e sufocaram as plantas, de forma que ela não deu fruto." (Marcos 4:7)

Agora, vejamos a explicação que Jesus deu para este tipo de solo:

"E outros são os que recebem a semente entre espinhos, os quais ouvem a palavra; Mas os cuidados deste mundo, e os enganos das riquezas e as ambições de outras coisasentrando, sufocam a palavra, e fica infrutífera." (Marcos 4:18-19)

"As que caíram entre espinhos são os que ouvem, mas, ao seguirem seu caminho, são sufocados pelas preocupações, pelas riquezas e pelos prazeres desta vida, e não amadurecem." (Lucas 8:14)

Observe que o coração das pessoas pode ser como um terreno cheio de espinhos: recebem a Palavra de Deus, que começa a crescer, porém é sufocada pelos espinhos e torna-se infrutífera ou, em outra versão, não dá fruto com perfeição.

No primeiro texto desta série, onde estudamos os atributos da semente, vimos que de uma só semente podem ser gerados muitos frutos. Da mesma forma, a Palavra de Deus semeada em nós tem potencial  para produzir muitos frutos.

Na carta aos Gálatas, o apóstolo Paulo aponta alguns frutos de quem anda segundo o Espírito de Deus, os quais ele denomina "fruto do Espírito": amor, alegria, paz, paciência, bondade, amabilidade, fé, mansidão e domínio próprio.

Assim, se temos o Espírito Santo habitando em nós, pelo entendimento e aceitação da verdade contida no Evangelho de Cristo, nossas atitudes devem começar a demonstrar que somos novas criaturas a partir do crescimento saudável da Palavra de Deus recebida em nosso coração.

Do mesmo modo, quando recebemos a Palavra de Deus, também devemos ser capazes de anunciar a mensagem do Evangelho a outras pessoas. Essa é outra forma pela qual a Palavra produz frutos através de nós.

Devemos ser multiplicadores desta mensagem a outras pessoas. Esta é a grande comissão, também conhecida como o "ide" de Jesus, para a qual todos os Seus seguidores foram chamados: fazer novos discípulos:

"E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura". (Marcos 16:15).

Mas, se é assim, porque não manifestamos sempre esse bom fruto em nossas atitudes, pensamentos e palavras? E porque muitas vezes não conseguimos atrair pessoas para Cristo?

Segundo a explicação dada por Jesus sobre a parábola estudada, existem espinhos em nosso coração que sufocam a Palavra de Deus e a impedem de amadurecer a fim de dar fruto com perfeição.

Se pensarmos na realidade natural, imaginemos um terreno onde espinhos e ervas daninhas crescem lado a lado com as plantas frutíferas. Essas plantas podem até dar frutos, mas com o crescimento dos espinhos, estes começarão a invadir o espaço que seria ocupado pelas plantas, impedindo o crescimento perfeito delas. Isso pode ser visto facilmente em um gramado onde o mato cresce desordenadamente. O crescimento do mato, que tende a ser muito rápido, dificultará bastante a manutenção da grama, podendo deixar o gramado seco e sem vida.

Assim como as ervas daninhas nascem sem que ninguém as plante, sendo as suas sementes trazidas pelo vento ou pelos animais, os espinhos entram em nosso coração sem que tenhamos a intenção de fazê-lo. Por descuido, deixamos que essas sementes malignas tenham acesso ao nosso coração e cresçam junto com a Palavra de Deus, que é sufocada por elas.

Na realidade espiritual, também existem espinhos/obstáculos que impedem o desenvolvimento pleno da Palavra de Deus em nossas vidas.

Veremos quais são esses obstáculos, apontados por Jesus em Marcos 4:18-19.

Os cuidados do mundo 




Os cuidados do mundo se referem às preocupações desta vida. Podemos dizer que são todas as coisas que precisamos dar conta enquanto estamos neste mundo. Trabalhar, estudar, cuidar da família, desenvolver um ministério, manter-se atualizado profissionalmente, conectar-se socialmente, entre tantas outras coisas.

Creio que "os cuidados deste mundo" dizem respeito a coisas realmente importantes nesta vida. Acredito que, ao falar sobre isso, Jesus queria nos alertar sobre o perigo de deixarmos que os cuidados com essas coisas tomem o lugar que é d'Ele em nosso coração. É indiscutível que existem deveres, valores e interesses relevantes neste mundo, mas o texto bíblico nos chama atenção para o fato de que nenhuma dessas coisas deve ocupar o lugar daquilo que é superior a todas elas: o Reino de Deus.

Você já deve ter ouvido falar sobre a história das irmãs Marta e Maria. E de como Marta se ocupou com os afazeres da casa e não achou tempo para ouvir Jesus, ao contrário de Maria.

Vamos relembrar essa história:

"E aconteceu que, indo eles de caminho, entrou Jesus numa aldeia; e certa mulher, por nome Marta, o recebeu em sua casa;
E tinha esta uma irmã chamada Maria, a qual, assentando-se também aos pés de Jesus, ouvia a sua palavra.
Marta, porém, andava distraída em muitos serviços; e, aproximando-se, disse: Senhor, não se te dá de que minha irmã me deixe servir só? Dize-lhe que me ajude.
E respondendo Jesus, disse-lhe: Marta, Marta, estás ansiosa e afadigada com muitas coisas, mas uma só é necessária;
E Maria escolheu a boa parte, a qual não lhe será tirada." (Lucas 10:38-42)

Vemos, nessa passagem, um valioso ensinamento de Deus para nós. Perceba que Marta estava ocupada com tarefas importantes. Não eram fúteis. Não eram dispensáveis. Marta não estava deitada com preguiça nem mesmo gastando seu tempo com coisas desnecessárias. Ela estava realmente ocupada. E, por causa de tanto serviço, ficou distraída e deixou de aproveitar aquele instante precioso em que o Rei dos reis estava em sua casa. Marta não entendeu que havia algo superior e que as coisas terrenas e passageiras não podem tomar o lugar do que é eterno.

Assim somos nós, muitas vezes, quando deixamos nos guiar pelas preocupações e cuidados com  as coisas deste mundo e perdemos a oportunidade de desfrutar a presença do Deus vivo, que apesar de sua grandeza, está tão próximo de nós.

Um dos males da época em que vivemos é a ansiedade. Andamos ansiosos o tempo todo, seja pelos desafios do dia a dia, pela possibilidade de algo dar errado, pelo futuro de nossa família, enfim, são muitas coisas que podem nos tirar a paz.

Mas se cremos na Palavra de Deus, podemos deixar aos pés da cruz toda a nossa ansiedade, porque foi o próprio Cristo quem declarou a respeito do cuidado do Pai conosco:

"Por isso vos digo: Não estejais ansiosos quanto à vossa vida, pelo que haveis de comer, ou pelo que haveis de beber; nem, quanto ao vosso corpo, pelo que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o alimento, e o corpo mais do que o vestuário?
Olhai para as aves do céu, que não semeiam, nem ceifam, nem ajuntam em celeiros; e vosso Pai celestial as alimenta. Não valeis vós muito mais do que elas?" (Mateus 6:25,26)

Jesus conclui:

"Mas buscai primeiro o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas." (Mateus 6:33)


Os enganos das riquezas


Entendo que o texto aqui não afirma que as riquezas nos impedem de frutificar na Palavra. Mas os enganos das riquezas sim. E o que seriam esses "enganos"? Analisando em conformidade com outros textos bíblicos sobre o tema, podemos dizer que ao nos advertir contra os enganos das riquezas, Jesus estava se referindo à corrida incessante por mais e mais riquezas, a qualquer custo.

O apóstolo Paulo chama atenção para o mesmo problema, escrevendo a Timóteo:

"Os que querem ficar ricos caem em tentação, em armadilhas e em muitos desejos descontrolados e nocivos, que levam os homens a mergulharem na ruína e na destruição, pois o amor ao dinheiro é raiz de todos os males. 
Algumas pessoas, por cobiçarem o dinheiro, desviaram-se da fé e se atormentaram a si mesmas com muitos sofrimentos." (1 Timóteo 6:9-10)

Ter como foco adquirir cada vez mais riquezas e colocar nelas toda a nossa segurança certamente nos impedirá de amadurecer como cristãos, pois a busca desenfreada por riquezas exigirá grande parte do nosso tempo, dos nossos esforços, dos nossos recursos e, portanto, não haverá espaço para que a Palavra de Deus que um dia recebemos produza em nós e através de nós os frutos que poderia gerar.

Na sequência da carta, Paulo aconselha seu discípulo:

"Você, porém, homem de Deus, fuja de tudo isso e busque a justiça, a piedade, a fé, o amor, a perseverança e a mansidão.
Combata o bom combate da fé. Tome posse da vida eterna, para a qual você foi chamado e fez a boa confissão na presença de muitas testemunhas." ((1 Timóteo 6:11-12)

Em outro texto dos Evangelhos, Jesus nos adverte sobre a importância de acumularmos tesouros no céu:

"Não acumulem para vocês tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem destroem, e onde os ladrões arrombam e furtam.
Mas acumulem para vocês tesouros no céu, onde a traça e a ferrugem não destroem, e onde os ladrões não arrombam nem furtam.
Pois onde estiver o seu tesouro, aí também estará o seu coração." (Mateus 6:19-21)

Vemos, nas palavras do Mestre, que existem tesouros eternos, bens que não podem ser furtados nem destruídos.  São esses bens que devemos acumular. É nesses tesouros que devemos investir, pois eles não podem ser tirados de nós.

Se nosso tesouro estiver nas coisas eternas, ali também estará nosso coração. Se, do contrário, nosso tesouro estiver nas coisas terrenas, nosso coração estará nessas coisas, e a Palavra de Deus não dará fruto com perfeição em nossas vidas, porque nosso foco está na realidade terrena.



Os prazeres da vida


Por último, Jesus cita os "prazeres da vida" ou as "ambições de outras coisas" como outro tipo de espinho que irá sufocar a Palavra de Deus em nós e impedir que ela frutifique como deveria.

Acredito que aqui podem ser incluídas muitas coisas, como vaidade, orgulho, ambição por status, consumismo, diversão/lazer, quando estas coisas ocuparem um espaço significativo em nossa vida.

Mesmo coisas que não são pecado podem nos levar a falhar como cristãos, quando se apropriam do nosso coração e da nossa mente, exigindo parcela considerável de nossa atenção, tempo e empenho, tomando o lugar que deveria ser de Deus em nossa vida.

Os prazeres da vida são todas aquelas coisas que nos fazem bem, que gostamos de fazer ou de buscar,  e, mesmo não sendo necessariamente pecados, podem nos levar a pecar, quando, por descuido, passamos a dar mais valor a elas do que à Palavra de Deus, que fica sufocada por elas.

Lembro-me de um texto das Escrituras que se relaciona com o que estamos falando:

"Portanto, também nós, uma vez que estamos rodeados por tão grande nuvem de testemunhas, livremo-nos de tudo o que nos atrapalha e do pecado que nos envolve, e corramos com perseverança a corrida que nos é proposta, tendo os olhos fitos em Jesus, autor e consumador da nossa fé." (Hebreus 12:1-2)

Em uma corrida, sabemos que quanto mais peso levarmos nas costas, mais lentos seremos e mais cansados ficaremos e talvez nem consigamos concluir o percurso. Na vida do cristão, é semelhante. Existem prazeres, vontades, ambições, diversões, que podem pesar em sua bagagem e impedi-lo de prosseguir ou, no mínimo, fazer com que siga muito lentamente, em razão de tantos pesos.

Se eu e você gastamos muito tempo com vaidade, entretenimento, amizades que não edificam, por exemplo, é bem provável que estas coisas tenham tomado o tempo que deveria ser dedicado à leitura da Bíblia, à oração, à instrução de nossos filhos na Palavra de Deus, à visitação de pessoas necessitadas, à pregação da mensagem de Cristo. Você já havia pensado nisso?

Devemos tomar cuidado para que os prazeres desta vida não ocupem muito espaço em nosso coração, para que possamos dar frutos como nosso Pai nos criou e nos chamou a dar.


Um dia eu ouvi, entendi e aceitei a mensagem do Evangelho. Reconheci que sou pecadora e que Cristo pagou um preço alto, com sua própria vida, para que eu pudesse ter direito à vida eterna e a me tornar filha de Deus (João 1:12). A mensagem que ouvi, anos atrás, tinha potencial para dar muitos frutos, assim como uma semente.

Muitos anos se passaram e eu percebo como demoraram a aparecer os primeiros frutos. Tenho consciência de que por muito tempo negligenciei o inestimável valor das riquezas celestiais.

A compreensão da verdade contida nesta parábola causou grande impacto na minha vida alguns anos atrás, porque, meditando em seus versículos, comecei a perceber que meu coração era como um terreno cheio de espinhos. Com a consciência dessa realidade, comecei a identificar os espinhos e buscar em Deus auxílio para retirá-los do meu coração.

Senti-me encorajada a experimentar um outro nível de relacionamento com Deus, a livrar-me dos pesos que estavam dificultando meu crescimento espiritual e minha caminhada com Cristo.

Ainda não me considero madura. Sei que ainda não dou os frutos que a Palavra de Deus em mim tem potencial para produzir. Fico feliz com os primeiros frutos. É uma grande alegria ver caminhando com Cristo pessoas pelas quais eu orei e com quem compartilhei o amor e a graça de Deus. Sou grata ao Senhor porque minha mente tem sido renovada pela Palavra de Deus a cada dia e já não sou a mesma pessoa. Mas preciso crescer. Avançar.


Se ao ler esse texto você se identificou com o terreno espinhoso, e percebeu que há coisas na sua vida impedindo que a palavra de Deus amadureça e dê frutos, tome uma decisão hoje mesmo e busque em Deus forças para mudar o rumo de sua história como cristão. Deus conta comigo e com você para sermos discípulos e fazermos discípulos, anunciando a mensagem da salvação àqueles que ainda não tiveram um encontro real com Cristo.

Que a maravilhosa graça e a plena paz do Senhor Jesus sejam com sua vida.

Bruna Monastirski
Discípula de Cristo

Comentários

  1. Excelente análise feita desta parábola. Me identifiquei nela e percebi quanto tempo também perdi com as coisas deste mundo. Que Deus continue te iluminando, Bruna!

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  2. Ao ler o texto, foi inevitável perceber como tenho perdido tempo com as preocupações .
    E ao perceber que me enquadro em tanta coisa, fui tremendamente impactado.
    Vi de fato uma necessidade de mudança.
    Que o Senhor continue te iluminando, Irmã Bruna.

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    1. Amém, Rodolfo! Toda honra e glória a Deus! Que sua vida continue sendo moldada pela palavra do Senhor!

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  3. Visão extraordinária é um entendimento absoluto que deus lhe deu , a poucos dias deus me falou sobre a parabola do semeador .
    Fui impactado na hora , experiência que quero levar para os jovens da minha Igreja .
    Deus abençoe seu ministério.

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  4. Muito bom esse texto, Parabéns Bruna, que o Senhor continue usando.

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