EU PROCRASTINO



 


Em praticamente todas as coisas que não são absolutamente necessárias à minha sobrevivência e da minha família, eu procrastino.
 
Deixo para fazer depois tudo o que não precisa, impreterivelmente, ser feito agora.  Tudo o que não é comer, beber, cozinhar, lavar, limpar, cuidar, pagar, etc., eu tenho procrastinado por dias, semanas, meses e até mesmo por anos.
 
Sabe aquela máxima "não deixe para amanhã o que você pode fazer hoje"? A minha frase é: "por que fazer hoje se pode ser feito amanhã?" 
 
Veja bem: eu não sou inconsequente. Entendo que há coisas que precisam ser feitas hoje, e outras que podem ficar para depois. O problema é que, no meu caso, esse depois demora demais a chegar. Eu evito, a todo custo, acrescentar demandas à minha rotina exaustiva, então vou deixando para depois, empurrando para um futuro que talvez nunca chegue.
 
O (mau) hábito de procrastinar já me causou, além de desapontamento, danos à saúde e perdas financeiras. Duvida?
 
Recebo menos $ todo mês porque ainda não ajuizei um processo judicial para receber valores a que tenho direito e não estão me pagando.
 
Já tive de repetir consultas médicas após perder a validade das requisições de exames. Lembro que uma vez não pude fazer uma radiografia dentária pois havia passado 60 dias desde a solicitação da dentista. Já precisei fazer canal em um dente por demorar demais a procurar um dentista (minhas filhas tinham 1 ano e 4 meses, então, me deem o beneficio da dúvida, please!).
 
Ainda não coloquei na parede as fotos de família. Idem para os quadrinhos decorativos. O álbum do meu filho está quase sem fotos e anotações. "Qualquer dia eu faço isso", penso, hesitante. 
  uma palmeira ráfia para minha sala. Eu sabia que precisava mudar para um vaso maior. Mas deixei passar dias, semanas, 2 meses. O jardineiro disse: "acho que não 'pega' mais, está fraca". Pegou, graças a Deus. Por pouco, não perdi minha palmeira. 
 
Pendurei os quadros do cantinho do café há pouco mais de uma semana.
 
Então, quando olho para o comprovante do IORN (a clinica de radiologia) e vejo que fiz a radiografia dentro do prazo, sinto uma ponta de satisfação pessoal. Aos poucos, tenho enfrentado as demandas que não são urgentes, mas precisam ser feitas.
 
A verdade é que eu procrastino porque não gosto de sair da rotina. Qualquer coisa que me puxe pra fora da rotina me tira um pouco a tranquilidade. Pode ser a mínima coisa.
 
No fundo, eu sei que, se parar meia hora para pendurar quadros na parede, é meia hora a menos que terei para lavar a louça que não pode esperar para amanhã. Se eu parar uma hora para imprimir fotos e colar no álbum do meu filho, é uma hora a menos para colocar roupas na máquina de lavar ou simplesmente uma hora a menos para descansar (e tem dias em que meu corpo clama por descanso). 
 
Então, como tudo na vida são escolhas, quando eu escolho procrastinar umas coisas, estou também optando por fazer outras, que considero mais necessárias naquele momento. Neste ponto da minha reflexão, libero perdão a mim mesma por todas as vezes em que procrastinei. 
 
Ainda assim, busco melhorar. Afinal, o perdão não dispensa mudança de direção. Pelo contrário. “Vá e não peques mais”, Jesus disse.
 
Coloquei no meu planner da última segunda-feira: bater raios-x dos dentes. E fui. Meu dia ficou um pouco mais tumultuado por causa dessa decisão, algumas coisas ficaram pendentes, porque saí mais cedo de casa para fazer o bendito exame. Mas era preciso...
 
Não gosto de sair da rotina, mas preciso me permitir mudar a rota quando necessário. E ir resolvendo as demandas extras que aparecem ao longo do dia, da semana, tentando não acumular. 
 
O planner semanal tem ajudado. Visualizo minha semana e encaixo nela essas coisas excepcionais, torcendo para não haver imprevistos. 
 
Mas sei que, ainda assim, tem coisas que, comigo, só vão funcionar “no tranco”.
 
Bruna Monastirski

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